A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro do Ozivy, primeiro medicamento nacional à base de semaglutida. O produto é fabricado pela farmacêutica EMS e será utilizado no tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade. A autorização ocorreu após o fim da patente da Novo Nordisk no Brasil, que aconteceu em março deste ano.

A aprovação do Ozivy marca uma nova fase no mercado das chamadas “canetas emagrecedoras” no país. A expectativa é que a chegada de concorrentes nacionais reduza os preços dos medicamentos nos próximos anos. O produto foi liberado pela modalidade de desenvolvimento abreviado, que se aplica a substâncias já conhecidas, mas que precisam comprovar segurança, eficácia e qualidade.

Com o fim da exclusividade da Novo Nordisk, ao menos 17 pedidos de medicamentos com semaglutida estavam em análise na Anvisa, segundo levantamento anterior do g1. O interesse das farmacêuticas cresceu com o sucesso comercial de produtos como Ozempic e Wegovy. Em abril, alguns pedidos foram negados por problemas na documentação e nos requisitos regulatórios.

O gerente-geral de medicamentos da Anvisa, Raphael Sanches, já havia explicado que a semaglutida é considerada uma molécula altamente complexa, situada entre medicamentos sintéticos e biológicos. A resolução da Anvisa definiu que o registro do Ozivy será válido até junho de 2036. O produto foi aprovado em diferentes formatos de aplicação subcutânea, incluindo versões acompanhadas de agulhas e canetas aplicadoras.

A chegada de novos concorrentes tende a aumentar a competição em um setor dominado pela Novo Nordisk. Especialistas avaliam que isso pode gerar uma redução gradual nos preços. O Ministério da Saúde já indicou que a ampliação do número de fabricantes pode facilitar o acesso ao tratamento no futuro. Enquanto isso, a Novo Nordisk começou a adotar estratégias comerciais, como ajustes de preços e condições especiais para alguns produtos.

Apesar da aprovação regulatória, o Ozivy ainda não tem data oficial de lançamento no mercado brasileiro. A EMS precisará finalizar etapas comerciais, logísticas e produtivas antes de iniciar as vendas. A farmacêutica ainda deve definir o preço, a fabricação dos primeiros lotes e a distribuição para farmácias em todo o país. Até o momento, a empresa não revelou detalhes sobre a estratégia de comercialização do medicamento.

Share.
César Walsh

Economista e financeiro com vasta experiência em grandes hospitais, César Walsh, atualmente, dedica-se como hobby a produzir conteúdos na área da saúde, compartilhando insights no Ortopedista de Ombro blog.