A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) confirmou que recebeu denúncias da Unilever contra a Ypê antes de suspender produtos líquidos da marca. As representações foram enviadas pela Unilever em outubro de 2025 e março de 2026, por meio do sistema Fala BR.
A Anvisa informou que qualquer denúncia pode gerar procedimentos técnicos de análise, incluindo avaliação de provas materiais e ações de vigilância sanitária. Documentos obtidos pelo g1 mostram que a Unilever relatou suposta contaminação microbiológica em lotes da linha Tixan Ypê Express, com a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa/paraaeruginosa em testes laboratoriais.
Em março deste ano, uma nova denúncia apontou mais 14 lotes supostamente contaminados. Os testes teriam sido feitos pelo laboratório Eurofins. A crise se intensificou quando a própria Anvisa informou ter encontrado a bactéria Pseudomonas aeruginosa em mais de 100 lotes de produtos acabados da Ypê durante inspeção em abril, na fábrica de Amparo (SP).
Na vistoria, realizada com o Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo e a Vigilância Sanitária municipal, os fiscais identificaram 76 irregularidades na unidade industrial. A bactéria encontrada pode representar riscos em ambientes hospitalares e para pessoas com imunidade comprometida.
A Química Amparo, responsável pela marca Ypê, contestou as conclusões da concorrente. A empresa afirmou ter laudos independentes que comprovariam a segurança de seus produtos. A fabricante também apresentou recurso contra a decisão da Anvisa que determinou suspensão, recolhimento e interrupção da fabricação de parte da linha líquida. A análise do pedido deve ser retomada pela Diretoria Colegiada da agência.
O episódio gerou repercussão no setor de produtos de limpeza por envolver duas das maiores empresas do mercado brasileiro. A Unilever afirma que testes em produtos concorrentes são práticas comuns do setor. A Ypê tenta reverter as medidas da Anvisa.
Investigação sobre a Ypê
A investigação sobre os produtos líquidos da Ypê trouxe informações que aumentaram a preocupação no setor e entre consumidores. A bactéria mencionada nas análises pode representar riscos dependendo do tipo de exposição e do produto envolvido. A disputa também levantou debates sobre controle de qualidade e concorrência na indústria de limpeza. O desfecho do caso pode impactar a confiança dos consumidores nas marcas envolvidas.