A comunidade científica anunciou mais dois casos de remissão do HIV após um tratamento experimental com células-tronco. Os resultados foram apresentados na segunda-feira (27), durante a Conferência Internacional de Aids, realizada no Rio de Janeiro, e reforçam as pesquisas em busca de uma possível cura para o vírus.
Com os novos registros, chega a 13 o número de pacientes no mundo considerados curados ou em remissão prolongada do HIV após esse tipo de terapia. Apesar do avanço, especialistas pedem cautela, já que os dois pacientes estão há cerca de um ano sem utilizar medicamentos antirretrovirais — um período ainda considerado curto para confirmar que o vírus não voltará a se manifestar.
O tratamento não foi desenvolvido especificamente para combater o HIV. Na realidade, os transplantes de células-tronco foram realizados como parte da terapia contra o câncer. Em alguns casos, quando há uma compatibilidade genética específica entre o doador e o receptor, as novas células passam a apresentar resistência natural à infecção pelo HIV.
Essa característica impede que o vírus consiga invadir determinadas células do sistema imunológico, o que pode levar à remissão da infecção mesmo após a interrupção dos antirretrovirais.
Embora os resultados sejam considerados promissores, os pesquisadores ressaltam que o procedimento é complexo, apresenta riscos elevados e só é indicado para pacientes que já necessitam de transplante de medula por causa de doenças graves, como alguns tipos de câncer. Por isso, a técnica ainda não é vista como uma alternativa de tratamento para a maioria das pessoas que vivem com HIV.
A expectativa da comunidade científica é que os novos casos ajudem a ampliar o conhecimento sobre os mecanismos de remissão do vírus e contribuam para o desenvolvimento de terapias mais seguras e acessíveis no futuro.
